Capítulo I – parte II

- És a mestra Apocrypha? Que anda pelo mundo para espalhar seus ensinamentos? – ele mostrava incredibilidade no rosto.
Ela balançou suavemente a cabeça para os lados e um pequeno sorriso iluminou seu rosto.
- Creio que se enganou, jovem senhor. Estou mais para aprendiz do que para mestra. Pouco sei das coisas do mundo.
- Mas és ela?
- Sim, sou Apocrypha. – ela apoiou-se na espada.
- Pensei que fosses lenda, criada pelo imaginário daqueles que querem mudar o mundo.
- Lenda não sou, pois estou aqui na sua frente. E não quero mudar o mundo, apenas compreender o coração daqueles que nele vivem. Mas, como soube que sou Apocrypha?
- Pela estrela em seu peito. – ela levou uma das mãos à corrente e segurou o cristal. – Um comerciante, contador de muitas histórias, contou sobre uma mulher que viajava sozinha. É sábia como os anciões, os corações mais frios se aquecem diante de sua beleza e uma estrela sempre brilha em seu coração. – o garoto apontou para a mão fechada.
- Bem, se fosse procurar por uma mulher bela, jamais chegaria a mim. – Soltou o cristal e levou uma mecha de cabelo para trás da orelha. Procurou mudar o assunto da conversa, pois, por se achar quase feia, sua aparência não era seu assunto favorito. – Então, o senhor deseja que eu saia de suas terras?
- Não apenas permito sua estada, mas convido-a para passar um tempo em minha casa, pois se a história do comerciante for verdadeira, a senhora deve estar exausta e precisando de repouso.
- Na verdade, estou cansada, mas uma noite de sono tranqüilo, sob as estrelas, basta para restabelecer-me. E amanhã de manhã preciso partir com o sol para chegar à cidade de Ridam antes do anoitecer.
- Ora, então posso lhe oferecer abrigo para a noite e transporte para a cidade amanhã de manhã. Uma carroça sairá de minha casa para ir à cidade vender nossa produção. A senhora pode ir junto, assim descansará melhor e chegará antes do anoitecer à cidade.
- Agradeço sua preocupação, senhor, mas ficarei aqui mesmo.
- Então, insisto para que venha comigo, pois a noite aqui é muito fria e seria descortesia deixar uma senhora dormir no chão, tendo o céu por teto. Eu não conseguiria dormir à noite.
Apocrypha fitava o rapaz. Ele era dono de uma incrível beleza. Tinha nos olhos a cor do céu sem nuvens, um azul claro e forte. Os cabelos pareciam raios de sol, de tão dourados e brilhantes; os fios eram finos e, à menor brisa, voavam de tão leves. O rosto era fino e a pele bronzeada. Não estava ricamente trajado, mas as roupas de veludo e seda confirmavam sua alta linhagem. Um broche de ouro, na forma de um brasão, era a única jóia e pertence valioso que usava e prendia-lhe a capa de viagem. A única arma era a espada que quase sacou quando a viu. Olhou profundamente em seus olhos e percebeu que estava na frente de uma pessoa obstinada e muito teimosa. Então, resolveu provocá-lo.

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