O Conto da Biblioteca

Final de semestre é isso: eu bem que tento, mas nenhum trabalho começa a sair antes das 23h! Odeio meu muso boêmio!

Continho escrito um tanto às pressas, com uma revisão sonolenta e meio preso ao tempo e às informações corridas. Afinal, é pra ser uma contação de história sobre a Biblioteca Viriato Correa, que promove as Jornadas Fantásticas, sem deixar de ser uma apresentação de trabalho de final de semestre.

Espero que a Amanda goste! O conto pode ter ficado fraco, mas eu vou arrasar na apresentação!

Luzes eternas…

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O Conto da Biblioteca

Amigos, boa noite! Espero que estejam bem acomodados! Afinal, temos uma viagem intensa para fazer. Uma viagem arriscada pois vamos conhecer em pouquíssimo tempo o que uma biblioteca faz em noites afora! Que? Não acreditam que bibliotecas viajam? Ah, mas vou contar a história de uma biblioteca que viaja, tanto no tempo quanto no espaço! E também por um sem fim de mundos e idéias!

Essa biblioteca existe há muitos anos, aqui em São Paulo, mas aderiu às jornadas há pouco tempo. Ainda assim, já realizou quatro grandes viagens e já planeja mais duas para este ano ainda! Seus destinos são sempre fantásticos, com belas paisagens para se ver, grandes pessoas e criaturas para se conhecer e comoventes histórias para se contar.

Agora, nossa primeira viagem será não para um mundo, mas para uma outra cidade! Próxima daqui, não levará muito tempo. Segurem-se às cadeiras, peguem o alho, as estacas de madeira, as balas de prata! Encontraremos criaturas sombrias, sempre famintas, sedutoras, fortes e atraentes! Resistam ao seus doces encantos!

Vocês sentirão as cadeiras tremerem, alguns talvez sintam vertigem com a intensa alteração na intensidade de luz. Porém, fiquem tranquilos! Jamais os colocaria numa viagem perigosa! Aproveitem até do desconforto! Quando é que poderão fazer outra viagem tão diferente como esta?

Virão? Num piscar de olhos e estamos na terra dos vampiros! Observem as sombras! Conseguem ver seus olhos vermelhos cintilarem na escuridão? Ah, meninas! Não ousem ceder aos toques gélidos destes seres! Claro que amam, sentem remorso por sua eterna pena; há aqueles que sintam orgulho de sua beleza etérea e pálida. Mas todos compartilham da sede de sangue!

Quando a biblioteca os visitou, os vampiros a receberam com muita alegria! A biblioteca trazia consigo uma infinidade de pessoas que queriam ouvir as histórias que eles trazem através dos séculos! E essas pessoas ouviram suas histórias atentas, levaram pequenas lembranças em seus livros, até que chegou o amanhecer e os vampiros foram obrigados a deixarem seus hóspedes para se protegerem do quente e impiedoso sol! Porque todo mundo sabe que criaturas que vivem em florestas, são amigos dos humanos e brilham no sol, não são vampiros! São fadas!

Por muito tempo, os amigos da biblioteca tiveram os nomes dos vampiros em suas bocas: Inverno e seus irmãos, os vampiros portugueses que aportaram de livre e espontânea pressão nas terras brasileiras; Louis e Lestat, que deixaram a bela New Orleans para comparecerem ao encontro e contarem a história dos séculos e da mãe dos vampiros, Akasha. E também veio a filha do senhor do terror: Liz Vamp, cria de Zé do Caixão. Todos se lembraram do Conde Drácula, derrotado por Van Helsing, no fim do século XIX.

Desculpem, não podemos nos aproximar mais das criaturas das trevas, nosso tempo se esgota! Temos mais um lugar para visitar e este é mais longe! Mas caso queiram conhecer melhor os vampiros, cuidarei de colocá-los em contato com eles. São criaturas das trevas, porém tão encantadoras que é quase impossível não se render…

Agarraram-se às cadeiras? Visitaremos outro lugar e outro tempo! Que os mais sensíveis não se deixem abalar! Lembrem-se, somos espectadores deste mundo! A tristeza e a morte o permeia! Corvos cruzam o céu cinzento, espalhando suas penas negras e o mau agouro nos corações! Fantasmas nos seguirão, querendo sentir novamente o dom da vida. Tudo isso porque nosso guia não encontrou consolo na vida, principalmente depois da morte de sua jovem esposa. O mundo de Edgar Allan Poe tornou-se escuro, pútrido e macabro.

Conseguem sentir o calor quase morto do fogo? Ouçam! Alguém bate à porta em hora tão tardia!  Batem e também nos chamam! Vamos abrir a porta! É frio lá fora! A porta range, e o vento sopra. Senhor, desculpai….senhora?

Ninguém bate, somente o gélido vento….

Gentis amigos, não guardaremos mais um minuto aqui! Vamos, antes que os fantasmas tornem a nos assombrar! Outro mundo nos aguarda, um mundo alternativo, onde nada é como conhecemos hoje, mas que poderia ter sido!

Vejam bem, vivemos num mundo elétrico, entretanto, nem sempre foi assim! No início, tudo que se movia sem tração viva, o fazia pelo vapor! Gás e carvão aqueciam caldeiras, enchiam balões e enegreciam o céu com fumaça enquanto os costumes daquela ranzinza e conservadora Rainha Vitória atravessaram os anos e tornaram a nossa vida igualmente conservadora, em nome da moral e da boa conduta.

Parece um mundo um tanto distópico, já que o céu tem cor de cobre, há fuligem no ar, no distanciamento das pessoas e tudo pode explodir a qualquer instante. Porém, pensem em voar em um zepelin, os carros e computadores movidos à corda e vapor, na beleza dos prédios altos e que brincam com a luz e a escuridão. Imaginem os trajes que usaríamos: longas saias, corpetes de couro, acessórios de bronze, as cartolas, os relógios de bolso. Será que seria um mundo parado no tempo dos costumes e que corre apenas na tecnologia? Como estas pessoas se comportariam?

Lamento atiçar tanto sua curiosidade, queridos amigos! Logo na hora em que devemos partir para um novo mundo! Esta é a nossa última viagem e teremos mil mistérios para resolver! Sim, nossa última viagem, tão logo que se acostumaram com o trepidar e já não temem as viagens de nossa sala.

Estamos sem tempo e sem espaço porque histórias de mistérios, suspenses e investigativas não têm lugar para acontecer. Há o nosso mundo e nosso tempo; há nosso tempo e muitos mundos; há muitos tempos, mundos e mistérios. Mas em todos mentes perspicazes trabalham para resolve-los. Pessoas argutas, de raciocínio rápido e lógico. Seja de toga em Roma, fumando cachimbo em Londres, seja nas ruas de São Paulo com prostitutas baratas. Os enigmas fazem parte de todas as histórias!

Chegamos ao fim de nossa Jornada Fantástica! Ainda há muitas outras pela frente e que, felizmente, não serão tão curtas como esta! Que os senhores tornem-se viajantes constantes, a biblioteca recebe a todos!

Mas se não quiserem esperar, peguem um livro! E entreguem-se, seguros, a quantas viagens desejarem!

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